Os cavalos, aqueles animais de quatro patas, foram aos poucos sendo substituídos pelos cavalos de aço. A tropa cresce em progressão geométrica a cada semana, e em cidades mais movimentadas, já criaram suas próprias trilhas. A linha pontilhada nas grandes avenidas antes usada para separar as faixas de rolamento agora tem donos, num verdadeiro tropel moderno.
Mas esses cavaleiros modernos sofrem com as agruras do dia a dia, principalmente os que têm nas duas rodas seu instrumento de trabalho.
E não são raras cenas que há algum tempo pareceriam inusitadas. Em uma capital com ares interioranos, onde o clima muda a cada hora, é preciso estar preparado. O fato aconteceu numa avenida, próximo ao supermercado.
A moça esperava o ônibus num lado da rua. Chovia. Não uma chuuuuuvvvvvaaaaa, mas o suficiente para molhar. A avó da moça a chamaria de "chuva de molhar bobo". Mas o nosso cavaleiro, que de bobo não tinha nada, usou a cobertura do ponto de ônibus do outro lado da rua como abrigo. Abriu a caixa instalada sobre o cavalo e ao invés de documentos, flores ou pizzas, sacou a armadura do século 21: uma jaqueta e uma calça de material plástico, que vestidas sobre a roupa evitam que elas fiquem molhadas(pena que não evitem que os cavaleiros fiquem molhados de suor...). O detalhe interessante é que a cena se repetiu três vezes num intervalo de 10 minutos e no mesmo ponto.
Com certeza duas quadras para frente eles parariam novamente, agora para sacar a vestimenta. Afinal, em 15 minutos parou de chover, e como clima que se preze naquela capital, o sol voltou a brilhar...
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27 janeiro 2009
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